CIDADE DE GAZA - Um dos líderes do Hamas, o negociador Khalil al-Hayya, disse nesta quinta-feira, 9, que o acordo de cessar-fogo assinado com Israel no dia anterior levará a uma trégua sustentada na Faixa de Gaza e que mediadores e os Estados Unidos forneceram garantias de que o acordo levaria ao fim da guerra. Israel ainda precisa ratificar o acordo em seu gabinete.
Khalil al-Hayya fez um discurso ao público palestino, dizendo que Israel e o Hamas “chegaram a um acordo para acabar com a guerra e a agressão contra nosso povo”. Al-Hayya disse que o acordo inicial levaria a um cessar-fogo sustentado, à entrada de ajuda e à abertura da passagem de fronteira de Gaza com o Egito.
Também afirmou que o acordo prevê a libertação de 250 palestinos que cumprem penas de prisão perpétua em prisões israelenses e de 1.700 moradores de Gaza que estão presos por Israel desde o início da guerra atual, há dois anos.
“Agimos com responsabilidade em relação ao plano de Trump”, disse. “Hoje anunciamos um acordo para encerrar a guerra, ver Israel retirar-se da Faixa de Gaza e realizar uma troca de prisioneiros.” E acrescentou: “Recebemos garantias dos mediadores e dos americanos de que a guerra terminou por tempo indeterminado”.
Vale ressaltar que, em seu discurso, o negociador do Hamas não entrou em detalhes sobre potenciais obstáculos ao futuro do acordo, incluindo se o Hamas estaria disposto a depor suas armas e permitir que uma força internacional desempenhasse um papel na estabilização do enclave. Autoridades do Hamas expressaram fortes reservas a ambas as ideias. Em vez disso, al-Hayya passou minutos elogiando o povo de Gaza por sua coragem durante a guerra de dois anos.
Questionado se o acordo significava o fim da guerra, o ministro das Relações Exteriores de Israel, Gideon Saar, disse em entrevista à Fox News: “É a implementação da primeira fase”. “Não temos qualquer intenção de retomar a guerra”, acrescentou Saar. Ele observou que o plano de Trump também exige o desarmamento do Hamas, entre outras condições, e afirmou que Israel está comprometido em cumprir esse plano.
O Hamas e Israel concordaram com um cessar-fogo costurado pelos Estados Unidos, mas os termos ainda precisam ser aprovados pelo governo israelense para que a trégua entre em vigor. O primeiro-ministro Binyamin Netanyahu reuniu seu gabinete de segurança mais cedo e agora levará o tema para votação. A expectativa é de que seja aprovado com folga, apesar de rejeições do bloco de extrema-direita.
Se aprovado, Israel terá um prazo de 24 horas para que suas forças recuem inicialmente e mantenham o controle de apenas 53% da Faixa de Gaza. A partir desse prazo, o Hamas terá 72 horas para libertar os reféns restantes em Gaza.
Esta é a primeira fase prevista do acordo, na qual todos os reféns israelenses serão libertados pelo Hamas. Cerca de 48 estão em Gaza, mas apenas 20 são considerados vivos. Em troca, Israel libertará cerca de 2 mil prisioneiros palestinos. Esta fase também permitirá a redistribuição parcial de tropas israelenses em Gaza e um aumento na ajuda humanitária.
Trump, em sua própria reunião de gabinete na Casa Branca, disse que a libertação dos reféns de Gaza é um processo complexo, mas que acontecerá na segunda, 13, ou terça-feira, 14. Ele disse também que os restos mortais de cerca de 28 reféns serão recuperados, mas não deu detalhes nem prazos.
A assinatura oficial do acordo está prevista para ocorrer em Sharm el-Sheikh, no Egito. “Teremos uma assinatura, uma assinatura adicional. Já tivemos uma assinatura em meu nome, mas vamos ter uma assinatura oficial”, disse Trump em sua reunião de gabinete. O presidente disse que o calendário da sua viagem ainda será definido.
Este acordo inicial entre o Hamas e Israel aborda apenas alguns dos 20 pontos de um plano proposto por Trump no mês passado, e algumas das questões mais difíceis parecem ter sido deixadas para uma fase futura das negociações. Entre elas, quem governaria a Faixa de Gaza do pós-guerra e se, em que medida e como o Hamas deporia suas armas.
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Fonte: MSN