Se a proibição das casas online de apostas, conhecidas como bets, se tornar definitiva, pode promover a troca de inquilinos de alguns dos escritórios mais luxuosos e disputados de São Paulo, que recolhem aluguéis milionários.
Entenda o caso Um levantamento da plataforma de dados imobiliários SiiLA mostra que as empresas de apostas ocupam cerca de 13,2 mil metros quadrados de escritórios na capital paulista. Esse espaço equivale a apenas 0,14% de todos os escritórios da cidade, distribuído por 15 operadoras em 15 edifícios diferentes, segundo a plataforma.
O governo federal proibiu as apostas online recentemente, o que ameaça a permanência das empresas nos escritórios. A MP (medida provisória) foi editada em 25 de setembro por Lula, e precisa ser aprovada pelo Congresso Nacional até março para seguir valendo. Caso contrário, perde o efeito e as apostas voltam a funcionar no Brasil.
A proibição foi motivada pelo vício crescente de brasileiros em jogos de azar e pelo endividamento que eles provocaram às famílias. Os sites saem do ar em 6 de outubro, e os apostadores têm até 5 de outubro para retirar o dinheiro das plataformas. As publicidades e patrocínios devem ser removidos imediatamente, sob pena de suspensão de atividades e multas de até R$ 2 bilhões.
Mesmo se todas as bets devolverem as salas comerciais, o impacto geral ao mercado imobiliário paulistano será imperceptível. O índice de escritórios vazios na capital paulista passaria de 15,88% para 16,02%, o que representa um aumento de apenas 0,14 ponto percentual no mercado paulistano.
Estima-se que as bets paguem cerca de R$ 20 milhões por ano em aluguéis. O efeito de uma eventual saída, é concentrado nos prédios de altíssimo padrão (classe A+), que representam 63% da área total ocupada pelo setor e somam 76% do valor dos aluguéis.
Endereços de alto nível A Betano tem a maior área alugada dentre as casas de apostas, e ocupa um prédio de luxo na região de Pinheiros. Instalada na Eldorado Business Tower, na região da Avenida Rebouças, a marca ocupa 3.656 metros quadrados, o que representa um aluguel estimado em R$ 8,6 milhões por ano.
Regiões como a Rebouças e a Vila Leopoldina terão os maiores aumentos locais de salas vazias caso as empresas saiam. Na Rebouças, a desocupação de prédios de luxo subiria de 4,09% para 8,19%, enquanto nos prédios de padrão médio (classe B) da Vila Leopoldina, a desocupação saltaria de 14,36% para 28,90%.
Além de São Paulo, Belo Horizonte também concentra parte das empresas. Na capital mineira, as bets ocupam 1.775 metros quadrados de escritórios de alto padrão, e uma desocupação total faria a taxa de salas vazias desse segmento subir de 1,83% para 3,28%.
Impacto mínimo O presidente da SiiLA, Giancarlo Nicastro, afirma que os donos desses escritórios não devem sofrer para encontrar novos inquilinos, já que o mercado imobiliário está aquecido. "Nós vivemos um movimento de forte retorno ao trabalho presencial e há uma fila de empresas de tecnologia buscando esses espaços bem localizados", explicou o executivo.
Como as bets são empresas do setor de tecnologia, os layouts dos escritórios já atendem perfeitamente às necessidades de outras companhias da área. O setor é o terceiro que mais aluga escritórios dessa categoria em São Paulo, o que facilita a troca rápida dos inquilinos atuais por outras startups.
Como a medida do governo é provisória, não há expectativa de rompimento imediato dos contratos. "Uma marca como a Betano, se sair agora, não encontrará um espaço parecido daqui a quatro meses por causa da baixa quantidade de escritórios vagos na cidade", afirma Giancarlo. Sair de um escritório envolve custo de desmobilização, montagem de uma nova estrutura e, principalmente, o risco de não conseguir voltar ao mesmo endereço depois, destaca o CEO.
Esse episódio deve tornar proprietários mais exigentes com garantias de aluguel a inquilinos de setores frágeis ou polêmicos. De acordo com Nicastro, os riscos jurídicos gerados por essa proibição repentina influenciam proprietário de todo o setor imobiliário a se tornarem mais rigorosos ao fechar novos contratos e aluguel.
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Fonte: Uol/Economia