sábado, 16 de janeiro de 2021
25/11/2020

A lição da cidade de Patos para sucessão nacional em 2022


Os ingredientes da eleição para prefeito de uma cidade média no Sertâo paraibano alçaram-na ao patamar de: microcosmo político do pais, na visão de alguns cientistas políticos. Projetando-se o cenário local para o plano nacional, em um cri ativo exercício de análise política, o resultado da eleição em Patos, na Paraíba, colocaria em xeque sucesso de uma eventual chapa encabeçada pelo ex-ministro da Justiça Sergio Moro em 2022.

Uma premissa somente autorizada, ressalte-se. no contexto da recuperação da política tradicional como principal resultado do primeiro turno das eleições municipais.

Com 108 mil habitantes, o terceiro reduto de poder mais cobiçado d. —depois de João Pessoa e Campina Grande— foi palco de uma eleição acirrada, polarizada entre um "outsider" e um representa na "velha política"_

Deum Ia do, concorreu o Juiz Ramonilson Alves, postulante do Patriota que se aposentou para ingressar na política: na outra o ex-prefeito Nabor Wanderley, candidato Republicanos.

Chamado de "Moro da Paraíba", o juiz Ramonilson encabeçou a chapa.com o DEM na vaga device. Nos discursos, afirmava que a para a cidade passava pelo combate intensificado corrupção pelo fim do monopólio político local.

Seu adversário era um legítimo representante da política tradicional, encabeçando uma coligação formada por Republicanos, PP, PSD, PSL, Rede e Cidadania. Nabor governou a cidade duas vezes, de 2005 a 2012.

Centro-direita larga fragmentado para 2022

Nabor respondeu a denúncias de corrupção, muitas delas julgadas por Ramonilson. No horário eleitoral e em entrevistas, acusou o ex-magistrado de persegui-lo há muitos anos, desde sempre com finalidades eleitorais.

Ao fim de um embate acalorado, Nabor alcançou 51% dos votos, contra 41% do juiz Ramonilson. Um resultado local que reflete o quadro verificado no plano nacional, considerado o placar das capitais e principais cidades brasileiras: a vitória da política tradicional sobre a "nova política", da qual Jair Bolsonaro foi o expoente em 2018.

"A eleição municipal restaurou sistema político, o valor no mercado político e o centro institucional saiu consagrado", disse à coluna o cientista político Nelson Rojas de Carvalho, professor do programa de pós-graduação em Ciências Sociais da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (LI Para ele, este resultado reduz as chances de '"players" de fora da política cotados para a Sergio Moro e Luciano Huck.

O pesquisador aponta a derrota da "nova política" neste pleito, mas, não a do presidente Jair Bolsonaro como cabo eleitoral. Isso porque a eleição municipal não tem determinantes nacionais, mas, sim, consequências no plano nacional. "A eleição municipal tem uma dinâmica local que gera efeitos nacionais", argumenta o autor de no início eram as bases — Geografia politica do voto e comportamento legislativo no Brasil".

Ele aponta dois efeitos principais do pleito municipal no âmbito nacional: uma configuração mais sólida do quadro sucessório, e composição de forças no Congresso Nacional na próxima legislatura,

O primeiro efeito do pleito municipal na sucessão presidencial, na visão de Nelson Rojas, é a fragmentação das forças de centro -direita, que tendem a avançar separadamente após o resultado deste ano.

Para o pesquisador, o desempenho do DEM, principalmente nas capitais, levará o partido a lançar candidatura própria em 2022. "O partido não aceitará ser vice do PSDB, de novo".

Um dos nomes colocados é o do ex-ministro da Saúde Henrique Mandetta. Correm por fora o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia. No primeiro turno, o DEM reelege Rafael Greca em Curitiba; Gean Loureiro, em Florianópolis; elegeu Bruno Reis em Salvador; e avança rumo à vitória de Eduardo Paes, que deverá governar o Rio de Janeiro pela terceira vez.

De igual forma, se o PSDB reeleger o prefeito de Sio Paulo, Bruno Covas, o terá por que renunciar cabeça de chapa na disputa presidencial em 2022.

O nome mais provável é o do governador João Doria, embora o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, também seja cotado para empreitada.

Mas se Covas for à lona, abatido pelo ativista Guilherme perde", e ficará difícil encabeçar a chapa, diz Nelson. Em especial, após o desempenho de Geraldo Alckmin em 2018, obteve 4,7% dos votos válidos.

No espectro da esquerda, o pesquisador vê Ciro Gomes (PDT), Ou um candidato apoiado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mais competitivos numa conjuntura de crise económica, em um paralelo com a Argentina, onde a derrocada levou vitória de Alberto Fernández.

"Se a economia chegar em 2022 em um diapasão tolerável", as chances

aumentam para centro-direita", diz o professor, que foi colunista convidado do Valor.

O segundo reflexo das eleições municipais na conjuntura n acional. segundo

Nelson Rojas, vai se consumar na eleição dos deputados federais e senadores para a legislatura de 2023-2026.

Ele afirma que a nova correlação de forças que emerge na composição do novo Congresso, e os partidos que elegeram mais prefeitos serão hegemónicos no Legislativo seis siglas que mais conquistaram ou representantes do centro politico.

Nelson discorda da interpretação de que o primeiro turno das eleições municipais foi "plebiscito" sobre o governo Bolsonaro, Ele acha equivocado atribuir o mau desempenho do prefeito do Rio, Marcelo Crivella

(Republicanos), ao apoio de Bolsonaro. O presidente perdeu, na sua visão, ao não conseguir organizar o seu partido, e ele, ocupar espaço no pleito municipal.

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Fonte: Jornal Valor Econômico

Por Andrea Jubé

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