O ex-prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena (MDB), pré-candidato ao governo do Estado, não parece ter pressa em definir compromisso com candidaturas à Presidência da República nas eleições deste ano, embora tenha lá sua preferência pelos postulantes que se apresentam no cenário. Ele sofre pressões ou abordagens para apoiar o projeto de reeleição do presidente Lula (PT) e, ultimamente, devido à sua aproximação com o PSD paraibano, chefiado pelo ex-deputado Pedro Cunha Lima, Lucena tem sido instado a “fechar” com a pré-candidatura do ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado, filiado ao PSD e que milita no campo da direita, mas não cumpriu agenda ao seu lado quando da meteórica passagem de Caiado pelo solo paraibano. O filho de Cícero, deputado federal Mersinho Lucena, elogiou o ex-gestor goiano mas não definiu voto nele.
Na verdade, a pré-candidatura de Ronaldo Caiado, uma das últimas lançadas, é uma incógnita na conjuntura eleitoral nacional porque apela para o suposto atrativo de uma terceira via que, concretamente, não tem sensibilizado parcelas influentes da opinião pública. O ex-governador goiano, que foi candidato em 1989 e teve uma votação pífia, flutuando numa miríade de candidatos mais competitivos, propõe-se a quebrar a polarização entre o presidente Lula e o bolsonarismo, mas esta continua viva e influente, o que já desestimulou pretendentes mais fortes como o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que concorrerá mesmo à reeleição no Estado. O senador Flávio Bolsonaro, do PL, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, é quem lidera um dos eixos da polarização e tem conseguido sobreviver com percentuais favoráveis mesmo agora, em pleno fogo cruzado aparente com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que o tem detonado em redes sociais. É com Flávio que a direita vai, não com Ronaldo Caiado ou Romeu Zema, de Minas Gerais, segundo indicam pesquisas de intenção de voto.
Cícero Lucena, que nunca teve afinidades maiores com o Partido dos Trabalhadores, ensaiou mais recentemente diálogo e aproximação com dirigentes dessa legenda por gestões do senador Veneziano Vital do Rêgo, interlocutor direto do presidente Lula e um dos defensores do seu governo no Congresso Nacional, interessado em formalizar coligação a nível estadual com os petistas. Lucena chegou a dialogar com Gleisi Hoffmann, ex-ministra das Relações Institucionais, com o presidente nacional do PT, Edinho Silva, e com a presidente estadual da agremiação, deputada Cida Ramos, com quem discutiu a possibilidade de inclusão de um petista na chapa como vice. Os entendimentos não avançaram – pelo contrário, o PT local acabou selando aliança com o PP em apoio à pré-candidatura do governador Lucas Ribeiro à sucessão, a quem também reivindicou espaços na chapa. Da parte do presidente Lula não há uma manifestação oficial sobre apoio a pretendentes ao governo paraibano, exceto um vídeo de apoio declarado à pré-candidatura de Veneziano ao Senado.
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Fonte: Polêmica Paraíba
Por: Nonato Guedes